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"E ela deu à
luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque
não havia lugar para eles na hospedaria" (Lc 2.7).
Comovidos,
costumamos ler essa passagem das Escrituras no Natal. O evangelista Lucas pesquisou
acuradamente os fatos, buscando informações em fontes fidedignas,
consultando testemunhas oculares, para então escrever o relato do nascimento
de Jesus.
A
penosa viagem
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Viajar
de Nazaré a Belém significava percorrer 120 quilômetros
pelo caminho direto ou escolher a rota mais longa pelo vale do Jordão,
de 160 quilômetros. Na foto: vista atual de Nazaré.
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O recenseamento ordenado
por César Augusto e o registro dos judeus tinha de ser realizado na cidade
de origem de cada um. Esse foi o motivo aparente da viagem de José e
Maria a Belém. Na época, ninguém imaginava que tanto o
imperador quanto o casal de noivos tinham que seguir o plano de Deus. Viajar
de Nazaré a Belém significava percorrer 120 quilômetros
pelo caminho direto ou escolher a rota mais longa pelo vale do Jordão,
de 160 quilômetros. De qualquer modo, a viagem certamente foi penosa,
especialmente para Maria, que estava no final da sua gravidez. Segundo a lei
mosaica, um casal de noivos estava comprometido e tinha de casar. Portanto,
como noivo de Maria, José tinha obrigação de fidelidade,
que lhe era imposta legalmente, do mesmo modo como se já estivesse casado.
José, obediente à lei, não teve relações
sexuais antes do casamento, pois era considerado um "tzadik" (justo).
Jesus não teve pai físico, pois havia sido gerado pelo Espírito
Santo (Lc 1.35). Quem afirma o contrário coloca-se contra a verdade e,
desse modo, contra a Palavra de Deus. Deus agiu de maneira singular e maravilhosa!
Setecentos anos antes, Ele já havia mandado o profeta Isaías proclamar:
"Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem
conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel"
(Is 7.14). Creiamos nesse sinal!
Na verdade, por precaução
e consideração humanas, José deveria ter deixado Maria
em casa devido à sua gravidez adiantada. Mas, deixá-la sozinha
também seria perigoso. Além disso, como filha herdeira (Nm 27.1-11;
36.1-13), Maria tinha direito de propriedade em Belém (Beth-Lehem = Casa
do Pão), sendo obrigada a viajar pessoalmente por causa da cobrança
dos impostos. Tudo aconteceu segundo o sábio plano de Deus, pois Suas
promessas tinham de se realizar.
Quantas paradas será
que José e Maria fizeram em sua caminhada? A viagem deve ter levado ao
menos cinco dias. Quando chegaram a Jerusalém, certamente admiraram o
majestoso templo. Sem dúvida, eles também ficaram impressionados
e olharam com respeito para o grandioso palácio do rei Herodes, nem imaginando
que em breve Herodes representaria uma ameaça mortal para eles e seu
bebê que ainda não tinha nascido. Jerusalém, porém,
não era o destino de sua viagem. Eles tinham que ir a Belém. Assim
eles continuaram andando, pois estavam com pressa, já que a data do parto
se aproximava. Maria caminhava com muito esforço. Será que, mesmo
assim, os dois passaram por "Ramat Rahel", para visitar o sepulcro
de sua importante antepassada Raquel? Os judeus o fazem até hoje com
muita reverência.
Finalmente eles avistaram
Belém ao longe, no alto da colina! Agora estavam chegando ao seu lugar
de origem! Tão próximos do alvo! Depois certamente eles olharam
para os campos que se estendiam lá embaixo, no vale. Ali o jovem pastor
Davi tinha pastoreado suas ovelhas. De Belém, sua cidade natal, percorrendo
caminhos difíceis, Deus o conduziu ao trono. "David melech Israel"
(Davi, rei de Israel)! Os dois exaustos caminhantes obviamente sentiam-se um
pouco orgulhosos por serem descendentes da dinastia real. Você lembra
o que o profeta Miquéias disse acerca de Belém em relação
ao Messias? Setecentos anos antes, Miquéias já havia anunciado
Seu lugar de nascimento, Sua genealogia e Sua origem, proclamando que Ele seria
Rei de Israel: "E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar
como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há
de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde
os dias da eternidade" (Mq 5.2).
Então chegaram a
Belém! Sua única preocupação era achar um quarto!
Mas, "não havia lugar para eles na hospedaria"! Em canto
algum eles acharam um lugar onde pudessem ficar. As estalagens estavam superlotadas,
e era inútil esperar que algum dos proeminentes da cidade viesse lhes
oferecer abrigo. Não é difícil imaginar a angústia
de Maria, sabendo que estava para dar à luz a qualquer momento e não
encontrava um espaço para ficar. – Não havia lugar para o Filho
de Deus! Como isso podia estar acontecendo? Eles sempre tinham confiado em Deus
e em Sua ajuda. Com a pobreza eles já estavam acostumados, e não
exigiam muito para seu conforto pessoal.
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Como
filha herdeira, conforme a lei mosaica, Maria tinha direito de propriedade
em Belém, sendo obrigada a viajar pessoalmente por
causa da cobrança dos impostos. Na foto: vista atual de Belém.
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A situação
foi ficando muito difícil. Como era possível que em sua cidade
natal não houvesse um único lugar, um refúgio para eles!?
"Que se cumpra em mim conforme a tua palavra" (Lc 1.38), havia
sido a resposta humilde e cheia de confiança de Maria quando o anjo Gabriel
lhe anunciara o nascimento do Messias. Mas agora, o que seria deles? – Finalmente
acharam um espaço abrigado, com uma manjedoura usada para alimentar os
animais. O lugar era primitivo, mas justamente ali aconteceu o nascimento de
Jesus! Tal coisa é quase inimaginável! Conforme os planos eternos
de Deus, o Unigênito Filho de Deus veio ao mundo em uma estrebaria! Isso
não parece indigno? Não sabemos se realmente havia animais ali,
como muitos pintores costumam retratar a cena. Essa imagem, acrescida de anjinhos
de bochechas rosadas, confere uma aura romântica ao acontecimento, mas
a realidade foi extremamente dura.
A
identidade de Jesus
Sabemos realmente quem é
Jesus? Jesus não foi apenas o "doce menino" na manjedoura,
como se costuma cantar no Natal, pois Suas "origens são desde
os tempos antigos, desde os dias da eternidade" (Mq 5.1). Ele "...vem
das alturas... Quem veio de céu está acima de todos" (Jo
3.31). E o testemunho que Ele dá a Seu próprio respeito é:
"...glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que
eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo" (Jo 17.5). A Bíblia
diz dEle em Colossenses 1.15-17: "Este é a imagem do Deus invisível,
o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas
todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis,
sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi
criado por meio dele e para ele." Portanto, Jesus foi criador do universo
juntamente com Seu Pai celestial. "Ninguém jamais viu a Deus;
o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou"
(Jo 1.18). Isso explica a unidade entre Jesus e Deus e a segurança
em Deus que Jesus tinha. Jesus nasceu como homem por amor a nós, para
que Deus se tornasse acessível aos homens: "E quem me vê
a mim vê aquele que me enviou" (Jo 12.45). Ele veio para nos
salvar e nos livrar do mal. Não podemos olhar para a manjedoura sem dirigir
nossos olhos também para a cruz do Calvário, onde Ele entregou
Sua vida por nós. Jesus é mais forte que a morte, pois ressuscitou
dos mortos, vive e está assentado no trono à destra de Deus como
"Rei dos reis e Senhor dos senhores" (Ap 19.16). Manjedoura,
cruz e coroa são inseparáveis! Ele diz: "Eu sou o Alfa
e o ‘mega, o Primeiro e o último, o Princípio e o Fim" (Ap
22.13).
A volta de Jesus é
iminente – primeiro para arrebatar os Seus e depois em grande poder e glória
para estabelecer Seu reino de paz em Israel: "Porque convém que
ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés"
(1 Co 15.25). Ninguém consegue descrever, nem mesmo aproximadamente,
a identidade e a glória de Jesus, seja em prosa ou em verso, em pinturas
ou desenhos. É impossível descrever coisas celestiais com meios
humanos. Hebreus 1.3 apresenta Jesus como sendo o resplendor de Deus: "Ele,
que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu
Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito
a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade,
nas alturas."
Os magos do Oriente devem
ter percebido alguma coisa da majestade e da glória de Jesus quando O
adoraram. Quanto mais motivos temos nós, que fomos reconciliados com
Deus pelo Seu precioso sangue, de louvá-lO e adorá-lO!
O
Filho de Deus torna-se Filho do Homem
Agora o Filho de Deus estava
deitado em uma manjedoura, em que se dá alimentos aos animais: "E
o Verbo se fez carne e habitou entre nós..." (Jo 1.14). Cumprida
estava a profecia: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu;
o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso
Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz" (Is
9.6). Essas não são apenas expressões insuperáveis,
pois elas também caracterizam Seu verdadeiro Ser e Seu caráter
divino.
Foi dessa maneira que Jesus,
cujo nascimento comemoramos (apesar de sabermos que ele não ocorreu no
dia 25 de dezembro), começou Sua carreira terrena: "Veio para
o que era seu, e os seus não o receberam" (Jo 1.11). Sem lugar
na hospedaria! Sem lugar no que era Seu! A maioria das pessoas não reconheceu
Sua origem divina, nem Sua glória e que Ele era o Messias. No final da
Sua jornada terrena, chegaram a gritar: "Crucifica-O!" "Não
queremos que este reine sobre nós." "Fora com este!" (Mc
15.13; Lc 19.14; 23.18). Mas mesmo assim a Escritura tinha de se cumprir,
como previu Isaías: "Era desprezado e o mais rejeitado entre
os homens; homem de dores, que sabe o que é padecer; e, como um de quem
os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso"
(Is 53.3).
Ficamos com muita pena do
casal na estrebaria em Belém? Espero que sim! Mas isso não pode
ser tudo! Quem olha para o acontecimento na estrebaria de Belém apenas
com compaixão, da perspectiva humana, não capta nada da história
do Natal e não tira proveito dela. A dimensão divina, porém,
é bem diferente: o Filho amado e unigênito de Deus, que também
era "filho de Davi", em quem Deus se comprazia, estava predestinado
desde a eternidade a trazer a salvação para os homens. Somente
por esse caminho, através de Jesus, podemos ser libertos das amarras
do pecado. Única e exclusivamente o Filho amado de Deus, que teve de
morrer como malfeitor no meio de malfeitores, sobre o maldito madeiro do Calvário,
é que conseguiu realizar a expiação pelos nossos pecados,
derramando Seu sangue. Quem crê nisso e, pela fé, toma posse dessas
verdades, pode cantar alegre e grato: "Tempo santo de Natal! É nascido
o Cristo, o Salvador!"
Oh! insondável
amor de Deus!
Quanto deve ter custado
a Deus entregar Seu amado Filho por amor a nós?! Ele sabia que estava
enviando Seu Filho para o meio de malfeitores e transgressores, que acabariam
matando-O. Qual foi, então, o motivo que O levou a agir assim? Foi Seu
imensurável amor por nós! João tenta descrever o quanto
Deus ama o Filho, quando diz que Jesus "... está no seio do Pai"
(Jo 1.18). O "seio do Pai" simboliza aconchego, lar, proteção
e o centro da vida eterna de Deus. Foi o profundo e eterno amor de Deus que
O levou a enviar Seu Filho a nós, miseráveis criaturas: "Vede
que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de
Deus..." (1 Jo 3.1). Pessoa alguma, nem a mais religiosa ou piedosa,
consegue descrever, nem aproximadamente, o amor de Deus e de Jesus por nós.
Jesus é o dom de Deus a uma humanidade perdida, corrompida e presa no
emaranhado do pecado! "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não
pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3.16). Deus, ao enviar Seu
presente, Jesus Cristo, a este mundo, pensava em você e pensava em mim.
Aceite esse presente, pois ele é para você pessoalmente! Somente
um coração humilde consegue compreender essas dimensões
do amor de Deus e irá adorar de joelhos, agradecendo por esse presente
imerecido. Que essa seja sua alegria de Natal bem pessoal, levando a celebrar
essa festa de coração agradecido! "Evidentemente, grande
é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi
justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios,
crido no mundo, recebido na glória" (1 Tm 3.16). Com essas afirmações
compactas, o apóstolo Paulo descreve o mistério da fé.
O que devemos crer e aceitar em adoração é esse amor de
Deus em Seu Filho Jesus Cristo, que salva a toda e qualquer pessoa que se achegar
a Ele!
Sem lugar
– indesejado?
Jesus – lá fora?
Sem lugar em sua vida? Isso não pode ser verdade! Luz de velas, brilho,
ceia festiva, presentes e muitas tradições natalinas não
fazem o Natal. O Natal festejado apenas em função de coisas exteriores
é uma farsa. Jesus precisa receber lugar em seu coração!
"Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha
voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele" (Ap 3.20).
Deixe que Ele entre em sua vida e habite nela através do Espírito
Santo! Mas o príncipe das trevas não deseja que isso aconteça,
ele não quer que haja o verdadeiro Natal em seu coração.
Será que Jesus encontra lugar em seu coração? Em qual cantinho?
Quanto espaço? Jesus Cristo diz: "Se alguém me ama, guardará
a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele
morada" (Jo 14.23).
Jesus fez tudo por
você, e por isso Ele quer todo o seu coração – Ele
quer limpá-lo, purificá-lo, santificá-lo e alegrá-lo.
Entregue-o a Jesus! Então também haverá lugar no céu
para você. Haverá espaço para você onde Jesus está,
onde Ele foi para nos preparar lugar (veja Jo 14.2).
Nesse sentido, desejo-lhe
um abençoado Natal! (Burkhard Vetsch - http://www.ajesus.com.br)
Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, dezembro de 2000.
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