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Nosso
caminho por lugares bíblicos
Não
se pode imaginar uma viagem a Israel sem que se visite os lugares do sofrimento
e da morte do Senhor Jesus. Isso é indispensável! Pois essas visitas
nos levam a locais terrenos onde aconteceram fatos marcantes dentro do agir
de Deus com este mundo. Espiritualmente, entretanto, aqueles que se desviam
para evitar o Calvário e procuram um evangelho sem cruz, como é
oferecido hoje em muitos lugares, perdem o principal. Um evangelho sem cruz
não é um evangelho diferente, trata-se de puro engano e de um
absurdo espiritual. O caminho para a salvação sempre passa pelo
Calvário e pela ressurreição: "Certamente, a palavra
da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos
salvos, poder de Deus" (1 Co 1.18).
O Israel
atual impressiona por todas as suas modernas conquistas, por sua beleza oriental
e é fascinante ver o que os arqueólogos continuamente acham na
terra em matéria de provas históricas. Com suas escavações
eles constantemente trazem à luz objetos e outras coisas que dão
razão às Sagradas Escrituras. Mas eles são obrigados a
ver o significado espiritual de suas descobertas além dos simples objetos.
É uma bênção estar na terra das maravilhosas promessas.
Ela se chama Canaã, Palestina, Margem Ocidental ou (profana) Terra Santa?
Não. Ela simplesmente se chama "Eretz Israel" (Terra de Israel).
Assim se designa o território que Deus repetidas vezes prometeu a Abraão,
Isaque e Israel (seu antigo nome era Jacó = enganador), muitas vezes
até por juramento, para ser sua possessão eterna. Deus já
falou a Abraão: "Dar-te-ei e à tua descendência
a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã,
em possessão perpétua, e serei o seu Deus" (Gn 17.8).
Deus não apenas elegeu um povo para ser propriedade Sua, mas, segundo
Seu plano, Seu Filho também deveria nascer nessa terra, ali sofrer e
morrer por nós, ressuscitar do sepulcro e subir ao céu. E ali
também estará o trono do Rei de Israel. É por isso que
Israel, com sua capital Jerusalém, é hoje a nação
mais polêmica do mundo, agitada e sacudida por crises e desavenças,
em constante e incomparável tensão e continuamente ameaçada
de guerra. Nesse país é onde seguimos os passos do judeu Jesus
e buscamos nos recordar, em meio às ruínas ou nos locais por onde
Ele passou, do Seu caminho de sofrimentos e morte. Nesses lugares costumamos
ler as Sagradas Escrituras, orar e agradecer a Deus. Mas lembremo-nos do que
Jesus disse à mulher no poço de Jacó: "Vós
adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque
a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou,
em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e
em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.
Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em
espírito e em verdade" (Jo 4.22-24). E a bênção
será de quem o fizer de coração humilde.
No
monte do Calvário
"Quando
chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos
malfeitores, um à direita, outro à esquerda. Contudo, Jesus dizia:
Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo
as vestes dele, lançaram sortes. O povo estava ali e a tudo observava.
Também as autoridades zombavam e diziam: Salvou os outros; a si mesmo
se salve, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido" (Lc 23.33-35).
Realmente Ele é o Cristo (o ungido de Javé) e o escolhido de Deus.
Oitocentos anos antes da Sua vinda, Ele já foi legitimado por Deus: "Eis
aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se
compraz: pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito
para os gentios" (Is 42.1).
Quando ficamos
olhando para o monte do Calvário, uma coisa se torna bem clara: esse
Ungido e Escolhido já havia sido predestinado desde a eternidade a levar
a própria cruz para a execução no Gólgota como se
fosse o maior criminoso. Meus queridos, pensem no que deve ter custado esse
caminho de sacrifício a Jesus e ao Pai! Não conseguimos avaliá-lo,
apenas podemos adorá-lO por isso. Ele, o puro Filho de Deus, foi entregue
nas mãos dos pecadores e ímpios para ser barbaramente executado.
Por quê? O malfeitor arrependido que foi pendurado em uma cruz ao lado
de Jesus teve de nos servir de exemplo e confessou na hora da sua morte: "Nós,
na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos
merecem; mas este nenhum mal fez" (Lc 23.41). "Porque Cristo...
morreu a seu tempo pelos ímpios" (Rm 5.6). "Mas ele
foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas
iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados", já disse Isaías (cap. 53.5).
Essas pisaduras são a prova de Seu sacrifício absolutamente suficiente
e de Seu amor salvador insondável.
A
cruz que comove
Olhar para
o Calvário, admirar o monte, emocionar-se com a lembrança do que
aconteceu ali não basta, nem derramar lágrimas de compaixão
por Jesus resolve alguma coisa. O que é imprescindível é
que esse ato de salvação nos toque no mais profundo do nosso ser,
que nosso espírito entenda o que a cruz significa!
Oh! como foi que meu
Jesus
Assim
sofreu na triste cruz?!
Não
só na cruz mas no jardim
Agonizou,
e foi por mim!
Ali
na cruz, ali na cruz,
Oh,
sim, Jesus por mim sofreu!
Ali
na cruz, ali na cruz,
Oh,
sim, Jesus por mim morreu!
O grande
horror da escuridão
Apavorou
a multidão;
Rasgado
o véu lhes fez saber
Que
terminou o seu sofrer.
Que
dor cruel na cruz sofreu!
Seu
sangue ali Jesus verteu;
Sim,
foi por mim, pra me salvar,
Para
eu, enfim, no céu morar. (CC 87)
"Filhas
de Jerusalém", disse o Salvador carregando Sua cruz, às
mulheres que estavam à beira do caminho e que choravam e lamentavam por
Jesus, "não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas
e por vossos filhos!" (Lc 23.28). Nosso Salvador não quer ser
alvo de compaixão nem de admiração. Com isso O entristecemos.
Ele quer corações tocados, arrependidos! Jesus prefere ver lágrimas
de arrependimento por nossos pecados a lágrimas de compaixão por
Ele. Pois foram os nossos pecados que O levaram à cruz. Arrependimento
é um presente celestial. Quem está convicto dos próprios
pecados pode se refugiar na cruz de Jesus em pensamento. E lá podemos
chorar e receber purificação: "Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar
de toda injustiça". É o que diz 1 João 1.9.
O
profundo significado da cruz
Perdão
e purificação são o primeiro nível. O próximo
passo é se identificar com o Crucificado. Discipulado de Jesus não
acontece nos caminhos da satisfação dos anseios e desejos pessoais.
Ao invés disso, tem que acontecer uma separação em nosso
interior. Não precisamos ter pena de nosso "eu" corrupto e
obstinado. Ele precisa ser entregue à morte de Jesus, para que Ele possa
nos transmitir Sua vida através do Espírito Santo. "Assim
também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para
Deus, em Cristo Jesus" (Rm 6.11). Essa "transfusão de sangue
espiritual" acontece através de uma ligação íntima
e orgânica, através de obediência de fé ao nosso Salvador
e à Sua Palavra. "Porque, se fomos unidos com ele na semelhança
da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua
ressurreição" (Rm 6.5). Nesse caminho conseguimos nos
livrar da tirania do pecado.
Até
que ponto a cruz deve penetrar em nosso coração? Todo filho de
Deus sincero já aprendeu que a realidade da cruz, a maneira de ser de
Jesus, deve ocupar cada canto de nosso coração e cada espaço
de nossas vidas, assumindo o domínio em todas as áreas. O que
deixamos de entregar a Jesus tem cheiro de morte e será nossa perdição,
vai nos fazer cair. Quem quiser ter uma boa imagem diante do mundo, espiritualmente
acaba perdendo terreno para o inimigo. "Infiéis, não compreendeis
que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser
amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Sujeitai-vos, portanto, a Deus;
mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus,
e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores;
e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração"
(Tg 4.4,7-8). A cruz tem que penetrar em nosso eu apaixonado por si mesmo
até o ponto de podermos dizer com Paulo: "Estou crucificado com
Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;
e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus,
que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2.19b-20). Reconhecemos
a posição de mortos que devemos assumir todos os dias? Ela tem
que ser uma experiência profunda em nossas vidas. E isso custa lágrimas.
Mas leva à vida, à vida eterna! O apóstolo Paulo explica-o
com as seguintes palavras: "De modo que, em nós, opera a morte,
mas, em vós, a vida" (2 Co 4.12).
O
sepulcro vazio
No silencioso
oásis em volta do Sepulcro do Jardim, o túmulo vazio prega um
sermão para nós. Entramos solenemente na gruta escavada na rocha
que uma vez serviu de sepulcro. Sim, ele está vazio, graças a
Deus! Na parte de dentro alguém escreveu: "He is not here – He is
risen" ("Ele não está aqui – Ele ressuscitou").
Foi isso que o anjo anunciou às mulheres na manhã da Páscoa.
E o apóstolo Pedro testemunhou triunfalmente às pessoas que haviam
se reunido no Pentecoste: "ao qual, porém, Deus ressuscitou,
rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível
fosse ele retido por ela" (At 2.24).
Por que
a morte não conseguiu reter a Jesus? – Justamente porque Deus o ressuscitou!
E o próprio Jesus teve a vitória sobre a morte porque era sem
pecado. Seu santo e puro sangue não estava sujeito à lei da morte
pelo veneno do pecado. Pois a morte é o salário do pecado (Rm
6.23). Por isso Ele pôde derrotar a morte e o diabo e também tem
o poder de libertar da morte todos aqueles que estão unidos com Ele em
Sua morte. "Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele,
também viveremos com Ele" (2 Tm 2.11).
Através
de sofrimentos para a ressureição
Essa é
a mensagem do sepulcro vazio: "Vemos, todavia, aquele que, por um pouco,
tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte,
foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus,
provasse a morte por todo homem" (Hb 2.9). Glória e honra foram
a conseqüência de Seu sofrimento e de Sua morte: "Pelo qual
também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima
de todo nome" (Fp 2.9). Ser unido a Jesus, identificar-se com Sua morte,
tem por conseqüência que os filhos de Deus alcançam glória
e honra junto com Ele. Cristo quer compartilhar Sua glória e honra com
aqueles que estão intimamente ligados com Ele. Por isso Ele pede ao Pai:
"Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também
comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste,
porque me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17.24).
– "Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande
amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu
vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com
ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus"
(Ef 2.4-6). Será que não vale a pena levar o opróbrio
de Cristo, passar a vergonha que Ele passou? Só que esse caminho passa
pela fornalha do sofrimento. Mas Ele está do nosso lado, Ele nos apóia
e nos ajuda a termos um discipulado genuíno e corajoso. Um mundo moribundo
não precisa admiradores de Jesus, precisa é de discípulos
autênticos, que sirvam a Ele sendo bons samaritanos e pescadores de homens.
Aos filhos de Deus desanimados Ele diz: "O mesmo Deus da paz vos santifique
em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros
e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Ts 5.23).
"Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará a
nós pelo seu poder" (1 Co 6.14). (Burkhard Vetsch - http://www.aJesus.com.br)
Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, março de 1998.

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